Moradores protestam após mais de 40 horas sem energia em São Gonçalo

Bloqueio de via por moradores em protesto contra falta de energia em São Gonçalo
Foto: A Tribuna RJ

Moradores de bairros de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, protestaram nesta sexta-feira (31) contra a demora no restabelecimento de energia elétrica, que já ultrapassava 40 horas seguidas em algumas localidades. Os atos, concentrados principalmente nos bairros de Itaúna e Porto do Rosa, incluíram bloqueios de vias importantes da cidade e reacenderam a discussão sobre a capacidade das concessionárias de responder a temporais cada vez mais frequentes na região.

A origem do problema remonta à tarde de quarta-feira (29), quando um vendaval de grandes proporções atingiu o estado do Rio de Janeiro, derrubando árvores, postes e trechos de fiação elétrica em diversos municípios. Em São Gonçalo, o estrago comprometeu de forma significativa a rede local, deixando bairros inteiros sem fornecimento praticamente ininterrupto desde então.

Pneus queimados bloqueiam acesso à BR-101

Um dos protestos mais expressivos do dia aconteceu na Rua Heitor Rodrigues, via que funciona como um dos principais acessos à rodovia BR-101 a partir da cidade. Moradores atearam fogo em pneus e bloquearam a passagem de veículos, provocando forte congestionamento na região. O protesto também afetou a ligação entre o Centro de São Gonçalo e o bairro de Niterói-Manilha, rota usada diariamente por trabalhadores que se deslocam entre os dois municípios.

Moradores dos bairros afetados relatam que a espera pelo religamento da energia já ultrapassa os limites do razoável. Sem previsão clara de normalização, famílias afirmam ter perdido alimentos e, em alguns casos, medicamentos que precisam ser mantidos sob refrigeração, como insulina e outros remédios de uso contínuo — um problema que preocupa especialmente moradores idosos e com comorbidades.

O comércio local também amarga prejuízos com a falta de energia prolongada. Pequenos estabelecimentos como mercearias, açougues e farmácias dos bairros afetados relatam dificuldade para manter produtos perecíveis em condições adequadas de conservação, além de terem precisado fechar as portas em diversos momentos por falta de iluminação e de equipamentos que dependem de eletricidade, como caixas registradoras e sistemas de refrigeração. Para comerciantes que vivem do movimento diário, cada hora sem energia representa perda direta de faturamento em um momento já sensível para a economia local.

Nas conversas com moradores da região, a cobrança é por “solução imediata para o problema”, com reclamações que vão além da demora em si e incluem a falta de informações claras sobre quando o serviço será restabelecido em cada bairro. A ausência de comunicação eficiente por parte da concessionária tem sido um dos principais combustíveis da revolta popular, que já dura dois dias consecutivos na cidade.

Policiamento reforçado na região

Para conter os bloqueios e garantir a segurança no local, equipes do 1º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Venda da Cruz, foram destacadas para a área, atuando com viaturas convencionais e um veículo blindado. A presença policial teve como objetivo dispersar os manifestantes e liberar a via interditada, permitindo a retomada gradual do tráfego na Rua Heitor Rodrigues ao longo do dia.

São Gonçalo é um dos municípios mais populosos do estado do Rio de Janeiro e um dos mais atingidos pelos efeitos do vendaval que castigou a região metropolitana na quarta-feira. O temporal, que registrou rajadas de vento superiores a 100 km/h em pontos da Grande Rio — o maior índice, de 105,5 km/h, medido no Aeroporto Internacional do Galeão —, provocou um apagão que, no momento de maior impacto, chegou a afetar cerca de 500 mil unidades consumidoras somando as áreas atendidas por diferentes concessionárias no estado.

Passados dois dias do temporal, o quadro em São Gonçalo segue crítico, com bairros como Itaúna e Porto do Rosa entre os mais afetados pela lentidão dos reparos. A situação se soma a protestos similares registrados em Niterói e Maricá, cidades vizinhas também duramente atingidas pela ventania, numa mesma onda de insatisfação popular que tomou conta da região leste da Baía de Guanabara nos últimos dias.

A pressão popular nas ruas de São Gonçalo também chamou atenção de órgãos federais: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se reuniu na véspera com a concessionária responsável pela maior parte do fornecimento no estado para cobrar um cronograma mais claro de restabelecimento, em meio à repercussão dos bloqueios registrados em diferentes cidades da Região Metropolitana.

Moradores afirmam que pretendem manter a mobilização até que haja uma resposta efetiva da concessionária responsável pelo fornecimento na região, com o retorno pleno da energia elétrica aos bairros ainda afetados. A expectativa é de que, com o reforço das equipes de manutenção anunciado nos últimos dias, o quadro comece a se normalizar ao longo do fim de semana, embora moradores sigam céticos diante da falta de prazos concretos.

Rolar para cima