Obra leva água do mar para despoluir Lagoa de Piratininga

Instalação de bomba que levará água do mar à Lagoa de Piratininga, em Niterói
Foto: A Tribuna RJ

Teve início nesta segunda-feira (3/8) a instalação da bomba responsável por levar água do mar para dentro da Lagoa de Piratininga, em Niterói. A obra integra o conjunto de ações voltadas à despoluição e à recuperação ambiental de um dos corpos d’água mais críticos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, marcado há décadas por episódios de eutrofização, mau cheiro e mortandade de peixes.

O que muda com a bomba de recalque

O equipamento que começou a ser instalado tem a função de captar água do mar e bombeá-la para o interior da lagoa, aumentando a troca de água entre os dois ambientes. Lagoas costeiras como Piratininga sofrem historicamente com baixa circulação hídrica: sem renovação constante, a água parada acumula matéria orgânica, perde oxigênio dissolvido e favorece a proliferação de algas e bactérias, o que compromete tanto a vida aquática quanto o uso da lagoa para lazer e pesca.

Ao forçar a entrada de água salgada do mar, a bomba busca reproduzir artificialmente um processo que, em condições naturais, ocorreria pelos canais de ligação entre a lagoa e o oceano — canais que ao longo dos anos perderam eficiência por assoreamento, ocupação urbana irregular e obstruções ao longo do sistema lagunar de Niterói.

Parte de um esforço mais amplo de despoluição

A Lagoa de Piratininga faz parte do Complexo Lagunar de Niterói, que inclui ainda as lagoas de Itaipu e Camboatá, e vem sendo alvo de sucessivas intervenções da prefeitura e de órgãos ambientais ao longo dos últimos anos. Entre as frentes de trabalho já conhecidas estão a manutenção de canais, o desassoreamento de trechos críticos e ações de fiscalização contra lançamento irregular de esgoto nas margens.

A instalação da bomba se soma a esse conjunto de medidas como uma tentativa de atacar diretamente o problema da baixa circulação de água, apontado por especialistas em recursos hídricos como um dos fatores centrais para a degradação ambiental da lagoa. A lógica é simples: quanto maior a troca com o mar, maior a capacidade da lagoa de se autodepurar, reduzindo a concentração de poluentes e melhorando a qualidade da água ao longo do tempo.

Impacto para moradores do entorno

Para os moradores dos bairros que margeiam a Lagoa de Piratininga — região que combina ocupação residencial consolidada com áreas de interesse turístico e ambiental —, a expectativa é de melhoria gradual nas condições da água e na redução de episódios de mau cheiro, recorrentes principalmente em períodos de calor mais intenso, quando a decomposição de matéria orgânica se acelera.

A lagoa também tem papel relevante na paisagem urbana da região oceânica de Niterói, sendo utilizada para atividades de lazer, prática de esportes náuticos e pesca artesanal por parte da comunidade local. A recuperação ambiental do espelho d’água, portanto, tem efeitos que vão além da questão puramente ecológica, alcançando também a qualidade de vida e o potencial turístico da área.

Histórico de tentativas de recuperação

Lagoas costeiras poluídas são um desafio recorrente em cidades litorâneas brasileiras, e Piratininga não é exceção. Ao longo dos anos, diferentes gestões municipais promoveram intervenções pontuais — como dragagens e obras de contenção — sem que o problema fosse equacionado de forma definitiva. A diferença apontada pela atual fase de obras está justamente na tentativa de garantir um fluxo de água do mar mais constante e controlado, em vez de depender exclusivamente de intervenções físicas nos canais existentes.

Projetos desse tipo costumam ser acompanhados de perto por biólogos e engenheiros ambientais, já que a entrada de água salgada em um ecossistema lacustre precisa ser calibrada para não gerar desequilíbrios na fauna e na flora locais, adaptadas a diferentes níveis de salinidade ao longo do ano.

Próximos passos da obra

Com a instalação da bomba em andamento, a expectativa é de que o sistema comece a operar nas próximas semanas, permitindo que os primeiros efeitos sobre a qualidade da água possam ser monitorados pelos órgãos responsáveis. Ações de despoluição de lagoas costumam produzir resultados perceptíveis apenas a médio prazo, já que a redução da carga poluente acumulada ao longo de anos não ocorre de forma imediata.

A prefeitura de Niterói tem historicamente destacado a recuperação das lagoas da região oceânica como uma das prioridades ambientais do município, dado o valor ecológico e paisagístico desses corpos d’água para a cidade. A instalação da bomba de recalque para a Lagoa de Piratininga representa mais um capítulo dessa agenda, que segue sendo acompanhada de perto por moradores, ambientalistas e pelo poder público local.

Moradores da região e frequentadores da lagoa devem acompanhar, nos próximos meses, se a entrada de água do mar de fato se traduz em melhoria visível na qualidade da água — um dos indicadores mais esperados para avaliar o sucesso da nova etapa de intervenção no Complexo Lagunar de Niterói.

Rolar para cima