​TDAH e Emagrecimento: Como a Medicina Explica a Dificuldade de Controlar Impulsos e o Papel da Naltrexona

Por Redação Portal Conexão Ativa | Inspirado no conteúdo da Dra. Sandra Chagas

Assista: TDAH e Compulsão Alimentar

Muitas pessoas com TDAH enfrentam uma batalha diária contra a balança. O ato de comer, nesses casos, raramente é apenas fome; é uma busca incessante do cérebro por prazer e alívio imediato.

Recentemente, a medicina trouxe luz ao papel da Naltrexona, geralmente associada à bupropiona, no tratamento da compulsividade alimentar. Neste artigo, exploramos como a ciência explica o controle de impulsos e o papel dessa combinação medicamentosa no emagrecimento para quem tem mentes aceleradas.

TDAH e a Busca Infinita por Dopamina

O sistema de recompensa de quem tem TDAH funciona de forma diferente. Um dos fatores associados ao transtorno é a menor produção de dopamina pelo córtex pré-frontal, região que regula respostas emocionais e a busca por recompensas. Estudos de neuroimagem já mostraram que TDAH e obesidade compartilham circuitos cerebrais ligados à dopamina, à recompensa e ao controle inibitório — o que ajuda a explicar por que o comer impulsivo é tão comum nesse perfil. Quando os níveis de dopamina caem, surge um tédio insuportável que muitas vezes é compensado com alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras. Não por acaso, pesquisas estimam que cerca de 30% das pessoas com transtorno de compulsão alimentar periódica também têm TDAH.

Entender essa biologia é o primeiro passo para eliminar a culpa. Não é falta de força de vontade, é química cerebral.

O Papel da Naltrexona (associada à Bupropiona) no Emagrecimento

Isoladamente, a naltrexona é mais conhecida por seu uso no tratamento da dependência de álcool e opioides. No campo do emagrecimento e do controle da compulsão alimentar, o uso clinicamente estudado e aprovado é a combinação de naltrexona com bupropiona — associação de liberação prolongada aprovada pela Anvisa no fim de 2021 e comercializada no Brasil desde maio de 2023, sob o nome comercial Contrave®. O mecanismo é duplo: a bupropiona, que inibe a recaptação de noradrenalina e dopamina, estimula neurônios ligados à saciedade, enquanto a naltrexona bloqueia a ação da beta-endorfina, potencializando esse efeito e funcionando como uma espécie de “moderador” de prazer. Ela não retira o sabor dos alimentos, mas diminui aquela sensação de recompensa explosiva que leva à compulsão. Com o “barulho” da ansiedade reduzido, o paciente consegue focar em escolhas mais saudáveis.

Revisões da literatura médica apontam taxas de remissão da compulsão alimentar com bupropiona/naltrexona próximas de 31%, patamar comparável ao da lisdexanfetamina — atualmente o único medicamento aprovado pela FDA especificamente para o transtorno de compulsão alimentar periódica. Em termos de peso corporal, pacientes acompanhados clinicamente relatam perda média de 5% a 10% do peso após seis meses de uso combinado com mudanças de hábito.

A Regra dos 60 Dias para Novos Hábitos

Especialistas afirmam que o medicamento abre uma “janela de oportunidade”. O foco deve estar nos primeiros 60 dias, tempo necessário para o cérebro se adaptar a uma nova rotina. O acompanhamento médico é indispensável para ajustes de dose e segurança do tratamento, já que a combinação apresenta contraindicações relevantes — entre elas, não deve ser usada por quem tem histórico de convulsões, transtornos alimentares como bulimia ou anorexia, ou está em uso concomitante de opioides.

IMPORTANTE: Este conteúdo é informativo. A Naltrexona, isolada ou em associação com a Bupropiona, é um medicamento controlado. Nunca se automedique e consulte sempre um médico especialista.

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