Niterói autoriza início dos estudos de viabilidade para VLT na cidade

Simulação de VLT em Niterói
Foto: @guiadeniteroi / Instagram

A Prefeitura de Niterói autorizou o início da elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para avaliar a implantação de um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no município — um passo inicial, mas concreto, na direção de um projeto que pode transformar a mobilidade urbana da cidade nos próximos anos.

O contrato para a realização do estudo foi firmado pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura em 15 de julho de 2026, com investimento de R$ 1.389.235,00 destinado exclusivamente à etapa de análise técnica. O prazo previsto para a conclusão do EVTEA é de sete meses, com entrega estimada para fevereiro de 2027.

Na prática, o EVTEA é a etapa que decide se um projeto de infraestrutura desse porte sai do papel ou não. Durante os próximos meses, a equipe responsável vai analisar aspectos técnicos (como traçado, engenharia e integração com o restante do sistema viário), econômicos (custo de implantação e operação, fontes de financiamento), operacionais (capacidade de transporte, frequência, integração com ônibus e barcas) e ambientais (impacto da obra e da operação na cidade). Só depois que esse conjunto de estudos estiver pronto — e aprovado — é que o projeto pode avançar para etapas seguintes, como projeto executivo, licitação e, eventualmente, obra.

Vale reforçar: a autorização de hoje não significa que o VLT está garantido para Niterói. É a primeira fase de um processo que, historicamente, costuma ser longo em projetos de infraestrutura de transporte sobre trilhos no Brasil — e que depende tanto do resultado técnico do estudo quanto da viabilidade orçamentária das etapas seguintes, que ainda nem começaram a ser desenhadas.

Ainda assim, o simples início formal do EVTEA já é visto como um sinal relevante para quem acompanha a pauta de mobilidade urbana na cidade. Niterói vem historicamente enfrentando desafios de deslocamento entre bairros e para a travessia com o Rio de Janeiro, com o sistema de transporte público municipal dependendo fortemente de ônibus e do sistema de barcas para ligação com a capital. Um sistema de VLT, caso avance além da fase de estudos, teria potencial para reorganizar parte dos deslocamentos internos da cidade, com um modal de maior capacidade e menor emissão de poluentes por passageiro transportado em comparação ao transporte rodoviário tradicional.

Cidades como o Rio de Janeiro já operam sistema de VLT desde 2016 na região central e portuária, o que costuma servir de referência — tanto em acertos quanto em dificuldades operacionais — para novos projetos semelhantes no estado. A expectativa é que o EVTEA de Niterói leve em conta esse tipo de experiência já acumulada na região metropolitana ao desenhar a viabilidade técnica do sistema local.

Para os próximos sete meses, moradores de Niterói que acompanham de perto o tema de mobilidade urbana devem ficar atentos à divulgação de resultados parciais do estudo, já que decisões importantes sobre onde e como o VLT poderia operar na cidade — caso o projeto se confirme viável — devem começar a ganhar contorno mais claro só a partir da conclusão da análise técnica, prevista para fevereiro de 2027.

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