Trump amplia tarifaço global e atinge 60 parceiros comerciais

Retrato oficial do presidente Donald Trump, junho de 2026
Foto: Daniel Torok / Casa Branca (domínio público)

O tarifaço americano deixou de ser um problema específico do Brasil e virou uma ofensiva comercial global. A Casa Branca anunciou uma nova onda de tarifas entre 10% e 12,5% para cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo blocos e países de peso como a União Europeia, a China, o Reino Unido e o Canadá — numa escalada que amplia significativamente o alcance da política tarifária do governo Trump para além dos casos que já vinham chamando atenção, como o do próprio Brasil.

A nova rodada de tarifas é descrita por analistas internacionais como diferente das anteriores em pelo menos um aspecto: o volume de países atingidos de uma só vez. Em vez de medidas pontuais contra parceiros comerciais específicos, a Casa Branca optou por uma ofensiva ampla, que atinge simultaneamente aliados históricos, como o Reino Unido e o Canadá, e rivais comerciais de longa data, como a China — um sinal, segundo especialistas, de que a estratégia tarifária deste ano se tornou mais abrangente e menos seletiva do que em ciclos anteriores do próprio governo Trump.

Para a União Europeia, a nova tarifa chega num momento delicado, já que o Banco Central Europeu (BCE) vinha justamente monitorando de perto o risco de choques externos sobre a inflação da região, incluindo o próprio comércio internacional como fator de pressão. A ampliação do tarifaço americano tende a reforçar ainda mais essa cautela entre os dirigentes europeus, que já discutiam manter os juros estáveis por causa de riscos geopolíticos ligados ao petróleo e ao Oriente Médio.

A medida também reacende a discussão sobre uma possível guerra comercial em maior escala, já que países atingidos costumam avaliar retaliações tarifárias como resposta direta — um movimento que, se confirmado por parte de parceiros como a China ou o bloco europeu, pode escalar ainda mais a tensão comercial global nos próximos meses. O temor de analistas de mercado é que essa dinâmica de tarifa seguida de retaliação acabe pressionando cadeias de suprimento internacionais já fragilizadas por outros conflitos geopolíticos em curso, como a tensão no Oriente Médio.

Para o Brasil, que já vinha lidando com seu próprio capítulo de tensão tarifária com os Estados Unidos — incluindo o acionamento recente da OMC contra as tarifas específicas aplicadas a produtos brasileiros —, a ampliação do tarifaço para outros 60 parceiros comerciais tem uma leitura ambígua: por um lado, mostra que o país não está sozinho na mira da nova política comercial americana; por outro, reforça a percepção de que o cenário de comércio internacional deve seguir turbulento por um bom tempo, com efeitos difíceis de prever sobre cadeias produtivas globais, incluindo setores que também afetam a economia brasileira.

Nos próximos dias, a expectativa é que os países e blocos atingidos pela nova rodada de tarifas comecem a sinalizar suas respostas — seja por negociação direta com Washington, seja por medidas de retaliação comercial —, num momento em que a política tarifária americana já se consolidou como um dos principais fatores de instabilidade para o comércio internacional em 2026.

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