
O Rio de Janeiro amanheceu nesta sexta-feira (31) ainda enfrentando os efeitos do forte vendaval que atingiu o estado na tarde de quarta-feira (29). Segundo levantamento das concessionárias de energia, mais de 150 mil clientes seguiam sem luz na manhã desta sexta, no segundo dia consecutivo de transtornos causados pelo temporal, que derrubou árvores, postes e trechos de fiação em diversas regiões da capital e da Baixada Fluminense.
De acordo com os números mais recentes, a Light — concessionária responsável pelo fornecimento na maior parte da cidade do Rio e de municípios vizinhos — registrava cerca de 112 mil imóveis sem energia na manhã desta sexta. Já a Enel, que atende outras áreas do estado, contabilizava aproximadamente 34 mil pontos ainda sem fornecimento. Somados, os números ultrapassam a marca de 150 mil unidades consumidoras afetadas, uma redução expressiva frente ao pico do apagão, registrado na tarde de quinta-feira (30), quando o total de imóveis sem luz no estado chegou a superar 500 mil.
Zona Oeste e Baixada entre as áreas mais castigadas
Na capital, os bairros mais atingidos pela falta de energia estão concentrados principalmente na Zona Oeste, com destaque para Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes. Na Baixada Fluminense, os municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias figuram entre os mais afetados, com bairros inteiros ainda sem previsão exata de normalização. No interior do estado, a cidade de Paraty, atendida pela Enel, seguia com cerca de 14% dos imóveis sem energia nesta sexta-feira.
A Light informou, em nota, que os danos causados pelo vendaval “exigem a substituição de postes, cabos e outros equipamentos, além da remoção de árvores e objetos que caíram sobre a fiação” em diversos pontos de sua área de concessão. A concessionária afirma manter equipes extras mobilizadas em regime de mutirão desde o dia do temporal, priorizando a reconstituição da rede em hospitais, unidades de saúde e áreas com maior concentração de clientes afetados.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), classificou a intensidade da ventania como “absolutamente mais forte” do que o previsto pelos órgãos de meteorologia. “A gente chegou a ter no estado um milhão de pessoas com falta de energia, muitas ruas impactadas. O aviso que foi feito [pela Defesa Civil] no início da tarde foi muito menos intenso do que acabou acontecendo”, disse o prefeito em entrevista à TV Globo na manhã desta sexta-feira.
Transtornos também na mobilidade urbana
Além do impacto direto no fornecimento de energia residencial, o vendaval também afetou significativamente o sistema de transporte público da cidade no dia do temporal. A falha no fornecimento de energia interrompeu a circulação de trens e do metrô na quarta-feira, com a Linha 2 do MetrôRio chegando a ficar paralisada por causa do apagão, enquanto as Linhas 1 e 4 retomavam a circulação de forma gradual ainda no mesmo dia. Os trens da TrensRJ, antiga SuperVia, também tiveram a circulação interrompida durante a tarde, com o ramal Japeri entre os mais afetados — o trecho só voltou a operar normalmente nesta sexta-feira, segundo balanço da concessionária. O sistema BRT também registrou operação irregular em pelo menos uma linha, após a queda de um poste na Zona Oeste da cidade.
O temporal de quarta-feira deixou um rastro de destruição em toda a região metropolitana do Rio, com rajadas de vento que superaram 100 km/h em diversos pontos — o maior registro, de 105,5 km/h, foi medido no Aeroporto Internacional do Galeão. Ao todo, foram contabilizadas 291 ocorrências relacionadas aos ventos em todo o estado, e duas mortes já foram confirmadas em decorrência do temporal, incluindo uma vítima de queda de muro no bairro de Santa Teresa, na capital.
Diante da gravidade da situação, moradores de diversas cidades da Região Metropolitana, como Niterói, São Gonçalo e Maricá, foram às ruas nos últimos dias para protestar contra a demora no restabelecimento do serviço, com bloqueios de vias e queima de pneus em pontos de acesso importantes. A pressão popular, somada à repercussão do caso, levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a se reunir com a Light para cobrar explicações e acompanhar de perto o ritmo dos reparos, buscando garantir a normalização completa do fornecimento o quanto antes em toda a área afetada pelo temporal.
Para os próximos dias, a expectativa das concessionárias é reduzir de forma consistente o número de unidades ainda sem energia, priorizando bairros com maior concentração populacional e equipamentos essenciais, como hospitais e postos de saúde. Ainda assim, moradores da Zona Oeste do Rio e da Baixada Fluminense relatam apreensão diante da falta de um prazo definitivo para o retorno pleno do fornecimento em todas as regiões impactadas pelo vendaval que atingiu o estado nesta semana.





