
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se reuniu na noite de quinta-feira (30) com representantes da Light para cobrar explicações e acompanhar de perto as medidas adotadas pela concessionária no restabelecimento do fornecimento de energia em áreas do Rio de Janeiro atingidas pelo forte vendaval que atingiu o estado na tarde de quarta-feira (29). O encontro ocorreu na sede da empresa, na capital fluminense, e reuniu o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, e o superintendente de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade, Giácomo Bassi.
Segundo comunicado divulgado pela própria Aneel, a reunião teve como objetivo verificar in loco a mobilização de equipes de campo, avaliar os recursos empregados na recomposição da rede elétrica danificada pelo temporal e acompanhar o cronograma de ações apresentado pela concessionária para normalizar o serviço nas regiões mais afetadas. Durante o encontro, a Light apresentou à agência reguladora seu plano de contingência, que inclui o reforço das equipes de atendimento emergencial, a priorização de serviços essenciais — como hospitais e unidades de saúde — e a concentração de esforços nas áreas com maior número de clientes ainda sem energia.
Fiscalização contínua até normalização completa
Em nota, a Aneel afirmou que “continuará monitorando a atuação da Light e fiscalizando o cumprimento das obrigações da concessionária, de modo a assegurar que os consumidores tenham o serviço restabelecido” o mais rapidamente possível. A agência não estabeleceu um prazo específico para a normalização total do fornecimento, mas sinalizou que manterá acompanhamento próximo até que todos os clientes atingidos voltem a ter acesso à energia elétrica.
O movimento da Aneel ocorre em meio a uma onda de insatisfação popular em diversas cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Moradores de bairros de Niterói, São Gonçalo e Maricá realizaram protestos e bloqueios de vias nos últimos dias, cobrando uma resposta mais rápida da concessionária diante da demora no restabelecimento do serviço, que em algumas localidades já ultrapassava 40 horas seguidas sem energia. A pressão popular tem sido apontada como um dos fatores que motivaram a atuação mais incisiva do órgão regulador junto à Light.
O vendaval que atingiu o Rio de Janeiro na tarde de quarta-feira provocou estragos expressivos na rede elétrica do estado, derrubando postes, árvores e trechos de fiação em diversos municípios. No auge do apagão, registrado na tarde de quinta-feira (30), o número de imóveis sem energia no estado chegou a superar 500 mil, de acordo com balanços das concessionárias que atuam na região. Passados dois dias do temporal, ainda que o quadro tenha melhorado de forma expressiva, mais de 150 mil clientes seguiam sem fornecimento na manhã desta sexta-feira (31), distribuídos principalmente entre a capital, a Baixada Fluminense e municípios da Região Metropolitana.
Concessionária promete reforço de equipes
Segundo a Light, os danos causados pelo temporal “exigem a substituição de postes, cabos e outros equipamentos, além da remoção de árvores e objetos que caíram sobre a fiação” em diversos pontos da área de concessão da empresa. A companhia afirma manter equipes extras mobilizadas em regime de mutirão desde o dia do vendaval, com o objetivo de acelerar a reconstituição da rede elétrica e reduzir o número de clientes ainda sem energia ao longo dos próximos dias.
A atuação da Aneel no caso reforça o papel da agência reguladora como órgão de fiscalização das concessionárias de energia elétrica em todo o país, especialmente em situações de emergência causadas por eventos climáticos extremos. Casos como o do Rio de Janeiro têm levantado debates sobre a capacidade das redes elétricas urbanas de resistir a temporais cada vez mais frequentes e intensos, e sobre a necessidade de investimentos contínuos em manutenção preventiva por parte das distribuidoras de energia.
O temporal também deixou marcas na mobilidade urbana da capital fluminense: trens e o metrô chegaram a ter a circulação interrompida no dia do vendaval, com a Linha 2 do MetrôRio paralisada por causa do apagão, enquanto ramais da TrensRJ, como o de Japeri, só voltaram a operar normalmente dias depois. O episódio reforça, na avaliação de especialistas do setor elétrico, a necessidade de investimentos em resiliência das redes de distribuição, capazes de suportar eventos climáticos extremos sem provocar interrupções prolongadas em serviços essenciais para a população.
Para os moradores das áreas ainda afetadas, a expectativa agora é de que a cobrança da Aneel se traduza em uma aceleração efetiva dos reparos. A agência afirmou que só encerrará o acompanhamento do caso quando a normalização do fornecimento estiver completa em todas as regiões impactadas pelo vendaval, incluindo os bairros de Niterói, São Gonçalo, Maricá e da própria capital fluminense que seguem entre os mais castigados.





