
Um terremoto de magnitude preliminar de 7,1 atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, na terça-feira (28), deixando um rastro de destruição, dezenas de mortos e milhares de moradores desabrigados. O tremor, um dos mais fortes registrados no arquipélago japonês nos últimos anos, provocou desabamentos de edifícios, incêndios, cortes de energia em larga escala e a decretação de ordens de evacuação em diversas áreas da região atingida.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o abalo ocorreu a uma profundidade de dez quilômetros, fator que costuma intensificar os efeitos de um terremoto na superfície. No sistema de intensidade sísmica utilizado pelo Japão, que vai de zero a sete, o tremor atingiu o grau máximo da escala em pontos da província de Kumamoto, classificação reservada aos abalos mais destrutivos já registrados pelo país.
Balanço de vítimas segue sendo atualizado
Nos primeiros dias após o desastre, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, confirmou publicamente ao menos 13 mortes decorrentes do terremoto, além de dezenas de feridos hospitalizados. Nos dias seguintes, à medida que as equipes de resgate avançavam sobre os escombros e áreas de difícil acesso, o balanço de vítimas fatais foi revisado para cima. Segundo levantamentos mais recentes divulgados por veículos que acompanham a cobertura da emissora pública japonesa NHK, o número de mortos confirmados chegou a 36, embora duas dessas mortes ainda estivessem, até o fechamento desta matéria, sob investigação para confirmar relação direta com o terremoto.
Entre os episódios mais graves associados ao desastre está uma explosão registrada no centro comercial Aeon Mall Kumamoto, na cidade de Kashima, provocada pelo abalo sísmico. Equipes de resgate retiraram 12 pessoas dos escombros do local, das quais sete morreram e cinco ficaram feridas. Em Yatsushiro, o colapso da chaminé de uma fábrica da Nippon Paper Industries deixou 11 trabalhadores soterrados sob a estrutura; apenas dois sobreviveram ao acidente, segundo as informações mais recentes disponíveis sobre o resgate no local.
Danos estruturais e impacto na infraestrutura
Levantamentos preliminares das autoridades japonesas apontam danos em mais de 1.500 residências na região afetada pelo terremoto, além da evacuação preventiva de milhares de moradores, com estimativas indicando mais de 9 mil pessoas retiradas de suas casas nos dias seguintes ao abalo. Dezenas de milhares de imóveis chegaram a ficar sem fornecimento de energia elétrica, o que dificultou os primeiros esforços de resgate e de assistência à população atingida pelo desastre.
O terremoto também afetou a infraestrutura de transportes da região. O trem-bala da linha Kyushu Shinkansen, um dos principais meios de deslocamento de longa distância no sul do Japão, teve suas operações suspensas entre diferentes estações após o abalo. Dias depois, o serviço foi parcialmente retomado no trecho entre as estações de Hakata e Kumamoto, mas a expectativa das autoridades ferroviárias japonesas é de que a normalização completa da operação, incluindo o trecho entre Kumamoto e Shin-Minamata, ainda leve mais tempo para acontecer, dada a extensão dos danos identificados nos trilhos e na estrutura de sustentação da linha.
Um país acostumado à atividade sísmica
O Japão está localizado em uma das regiões de maior atividade sísmica do planeta, o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, e possui um dos sistemas de monitoramento e alerta de terremotos mais avançados do mundo. Ainda assim, abalos da magnitude do registrado em Kumamoto são capazes de causar destruição significativa mesmo em um país preparado para esse tipo de desastre natural, como ficou evidenciado pelo número de edificações danificadas e pela quantidade de vítimas fatais e feridos identificados nos primeiros dias após o tremor.
A região de Kumamoto já havia sido atingida por uma sequência de terremotos intensos em anos anteriores, o que levou o governo japonês a reforçar protocolos de construção civil e de resposta emergencial na área ao longo do tempo. Autoridades locais seguem avaliando os danos e prestando assistência à população atingida, enquanto equipes de resgate continuam trabalhando em pontos da região onde ainda há possibilidade de encontrar vítimas presas sob escombros de construções que desabaram com a força do abalo.
Organizações internacionais de ajuda humanitária e o próprio governo japonês têm mobilizado equipes adicionais de resgate e assistência para reforçar o atendimento à população da província de Kumamoto nos dias seguintes ao terremoto. A prioridade das equipes continua sendo localizar eventuais vítimas ainda não encontradas sob escombros, ao mesmo tempo em que a reconstrução de moradias danificadas e a normalização dos serviços básicos, como fornecimento de energia elétrica e transporte público, avançam de forma gradual na região atingida pelo desastre.





