Terremoto no Japão: número de mortos sobe a 34 e buscas entram no quarto dia

Resgatistas trabalham em área destruída pelo terremoto em Kumamoto, Japão
Foto: Reuters/Al Jazeera

O número de mortos confirmados pelo terremoto que atingiu a região sul do Japão subiu para 34, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (31) pelas autoridades japonesas. As buscas por vítimas e desaparecidos entram no quarto dia consecutivo em meio a uma onda de calor que tem dificultado o trabalho das equipes de resgate e agravado a situação de milhares de pessoas desalojadas na Prefeitura de Kumamoto, no sul do país.

O abalo, de magnitude 7,1, teve epicentro nas proximidades da cidade de Uki, e é considerado um dos terremotos mais intensos a atingir a região desde o catastrófico sismo de abril de 2016, também em Kumamoto, que deixou 275 mortos. Além das 34 mortes confirmadas até o momento, ao menos seis pessoas seguem em estado grave, internadas em hospitais da região.

Colapso em fábrica e explosão de gás concentram quase metade das mortes

Segundo as autoridades japonesas, quase metade do total de vítimas fatais está relacionada a dois incidentes específicos ocorridos no momento do terremoto: o colapso estrutural de uma unidade da Nippon Paper Industries e uma provável explosão de gás em uma loja da rede de shopping centers Aeon, na cidade de Kashima. Equipes de resgate seguem atuando nos escombros do centro comercial Aeon em Kashima, um dos pontos mais críticos das operações de busca, à procura de eventuais vítimas ainda não localizadas.

As equipes de resgate enfrentam uma dupla dificuldade nesta reta final da primeira semana após o terremoto: de um lado, a necessidade de vasculhar estruturas parcialmente destruídas com risco de novos desabamentos; de outro, o calor extremo que atinge o sul do Japão nesta época do ano, o que aumenta o desgaste físico das equipes e o risco à saúde da população desalojada, especialmente idosos e crianças alojados em abrigos temporários.

Mais de 79 mil casas sem água e alerta de tsunami

O terremoto também provocou uma crise de infraestrutura na região. Segundo balanços das autoridades locais, mais de 79 mil residências seguem sem acesso a água encanada, número que evidencia a dimensão dos danos causados à rede de abastecimento da prefeitura. Cerca de 40 mil residências chegaram a ficar sem energia elétrica nos primeiros dias após o sismo, o que também comprometeu o funcionamento de sistemas de refrigeração e de bombeamento de água em diversos bairros.

No momento do terremoto, alertas de tsunami chegaram a ser emitidos para áreas do litoral sul da ilha de Kyushu, levando à evacuação preventiva de comunidades costeiras próximas ao epicentro. Os serviços ferroviários da região também foram interrompidos como medida de segurança, agravando ainda mais a dificuldade de deslocamento de moradores e equipes de socorro nos primeiros momentos após o abalo.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, recomendou à população que permaneça em estado de alerta diante do risco de novos tremores secundários, comuns em terremotos dessa magnitude. Réplicas continuam sendo registradas na região nos dias seguintes ao abalo principal, o que tem levado as autoridades a manter parte das áreas mais afetadas isoladas por segurança, dificultando ainda mais o retorno de moradores a suas residências.

Comparação com o terremoto de 2016

A tragédia atual reacende as lembranças do terremoto de abril de 2016, também com epicentro em Kumamoto, que resultou em 275 mortes e ficou marcado como um dos desastres naturais mais graves da história recente do Japão. Embora o número de vítimas do sismo atual ainda seja significativamente menor, autoridades locais alertam que o balanço pode continuar subindo nos próximos dias, à medida que as buscas avançam em áreas de difícil acesso e que o calor extremo continua a colocar em risco a saúde de moradores desalojados.

O governo japonês mantém equipes de resgate, bombeiros e militares mobilizados na região, além de estruturas de apoio emergencial para os moradores que perderam suas casas ou ficaram sem acesso a serviços básicos como água e eletricidade. A expectativa das autoridades é normalizar o abastecimento de água na maior parte da prefeitura nos próximos dias, embora a reconstrução completa da infraestrutura afetada deva se estender por semanas ou meses, dependendo da extensão dos danos identificados durante as vistorias em andamento.

O Japão é um dos países com maior atividade sísmica do planeta e mantém protocolos rígidos de segurança contra terremotos, o que ajuda a explicar por que o número de mortos, embora trágico, tende a ser proporcionalmente menor do que em países com infraestrutura menos preparada para abalos dessa magnitude. Ainda assim, a combinação de calor extremo, falta de água e danos estruturais graves tem exigido um esforço extraordinário das autoridades japonesas para atender à população de Kumamoto nesta fase crítica após o desastre.

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