IPCA-15 desacelera a 0,06% em julho e reforça aposta em corte da Selic

Notas de real ilustram matéria sobre IPCA-15 e taxa Selic
Foto: CNN Brasil

A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou fortemente em julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo IBGE, subiu apenas 0,06% no mês, resultado bem abaixo do registrado em junho, quando o indicador havia avançado 0,41%. O número também surpreendeu o mercado financeiro: analistas consultados pelas agências Reuters e Broadcast projetavam alta entre 0,19% e 0,21% para o período, patamar praticamente três vezes superior ao resultado efetivamente divulgado.

Com o resultado de julho, o IPCA-15 acumula alta de 3,51% no ano e de 4,52% em 12 meses, uma desaceleração relevante frente ao ritmo observado nos meses anteriores. O indicador é considerado uma prévia da inflação oficial do país e costuma orientar as decisões de política monetária do Banco Central, especialmente nas vésperas de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Energia elétrica puxa alta, mas alimentos seguram o índice

Apesar do resultado geral baixo, alguns itens específicos pressionaram o índice para cima. O grupo de habitação teve alta de 0,97% no mês, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 3,03% e teve o maior impacto individual sobre o resultado do IPCA-15 de julho. Segundo o IBGE, o aumento foi puxado pela mudança da bandeira tarifária para o patamar amarelo, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, além de reajustes tarifários regionais aplicados em diferentes partes do país no período. As passagens aéreas também tiveram forte alta, de 11,70%, um dos itens de maior variação individual do mês.

Do lado oposto, os preços de alimentos e bebidas recuaram 0,66% em julho, ajudando a conter o resultado geral do índice. Entre os itens que mais caíram estão o tomate, com queda de 19,95%, a batata-inglesa, com recuo de 10,03%, e o café moído, que baixou 3,13% no período. O grupo de vestuário também registrou deflação, de 0,33%, reforçando o efeito de contenção sobre a inflação do mês.

Resultado reforça aposta em novo corte da Selic

A desaceleração mais forte do que o esperado no IPCA-15 de julho reforçou, entre analistas do mercado financeiro, a expectativa de que o Banco Central deve dar continuidade ao ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano. A taxa foi reduzida para o patamar atual na reunião do Copom realizada em 16 e 17 de junho, dentro de um movimento gradual de flexibilização da política monetária iniciado nos meses anteriores.

O próximo encontro do colegiado está marcado para os dias 4 e 5 de agosto, com decisão a ser anunciada na noite de quarta-feira, dia 5. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, o mercado projeta a Selic encerrando 2026 em 14% ao ano, o que sinaliza espaço para apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, a ser distribuído entre as quatro reuniões restantes do calendário do Copom.

Um resultado de inflação mais baixo do que o esperado, como o divulgado nesta semana, tende a dar ao Banco Central margem adicional para avançar no processo de queda dos juros sem comprometer o cumprimento da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Ainda assim, economistas ponderam que o Copom deve manter cautela na comunicação sobre os próximos passos, avaliando também fatores externos e a trajetória fiscal do governo antes de acelerar o ritmo de cortes.

Para o consumidor, a desaceleração da inflação em julho representa um alívio pontual, especialmente diante da pressão observada em itens como energia elétrica e passagens aéreas, que impactam diretamente o orçamento das famílias. A queda nos preços de alimentos básicos, por sua vez, ajuda a compensar parte desse efeito no bolso da população, ainda que a conta de luz mais cara continue sendo sentida em boa parte do país nos próximos meses, à medida que os reajustes tarifários regionais seguem sendo incorporados aos preços.

O IPCA-15 de julho também deve pesar nas discussões do Copom sobre o ritmo dos próximos cortes de juros, já que o Banco Central monitora de perto tanto a inflação corrente quanto as expectativas de mercado para os meses seguintes. Caso o cenário de desaceleração se confirme nos próximos indicadores, a expectativa de analistas é que o ciclo de flexibilização monetária siga avançando de forma gradual até o fim de 2026, ainda que a um ritmo mais cauteloso do que o observado em boa parte do primeiro semestre do ano.

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