Copom corta a Selic pela 4ª vez seguida e mercado reage com cautela

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
Foto: Reprodução/Seu Dinheiro

O Banco Central cortou a Selic pela quarta vez consecutiva nesta quarta-feira (5), levando a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. A decisão do Copom foi unânime e seguiu à risca a expectativa do mercado financeiro, que já vinha precificando o corte de 0,25 ponto percentual havia dias.

O ciclo de redução dos juros começou em março de 2026, quando a Selic caiu de 15% para 14,75% ao ano. Desde então, o Banco Central vem reduzindo a taxa em passos graduais, aproveitando um cenário de inflação relativamente sob controle: a prévia do IPCA-15 de julho, por exemplo, mostrou alta de apenas 0,06%, dado que abriu espaço para o comitê continuar afrouxando a política monetária sem grandes sobressaltos.

Apesar do corte, o comunicado divulgado pelo Copom manteve um tom de cautela. O texto classificou os riscos relacionados aos preços como “mais elevados que o usual, com assimetria altista”, citando fatores como o El Niño e as flutuações do petróleo como pontos de atenção para a inflação nos próximos meses. O comitê também reforçou preocupação com estímulos à demanda que possam enfraquecer a transmissão da política monetária, além de destacar um “significativo aumento da incerteza” no cenário econômico atual.

No mercado financeiro, a reação foi de relativa estabilidade: o Ibovespa fechou a sessão de quarta-feira com leve queda de 0,09%, aos 177.726 pontos, enquanto o dólar recuou 0,05%, cotado a R$ 5,1282. Entre os destaques do pregão, a RD Saúde (Raia Drogasil) avançou 5,87% e a Embraer subiu 2,76%, enquanto a Hapvida recuou 5,69% e a C&A caiu 3,91% — um dia de movimentos mistos entre os setores da bolsa.

A rodada de balanços do segundo trimestre também mexeu com o mercado. O Itaú divulgou lucro de R$ 12,4 bilhões no período, um dos números mais aguardados da temporada, ao lado de resultados de Bradesco, Klabin e outras companhias de peso na bolsa brasileira. Esses balanços costumam orientar boa parte do apetite dos investidores por ações específicas nas semanas seguintes à divulgação.

Para o próximo passo do ciclo de juros, o mercado já aposta em mais um corte na reunião de setembro do Copom, marcada para os dias 15 e 16. Segundo dados extraídos dos contratos de opções de Copom negociados na B3, a expectativa predominante entre investidores é de continuidade do afrouxamento monetário, desde que o cenário de inflação siga se comportando dentro do esperado pelo Banco Central.

Com juros ainda em patamar elevado, mas em trajetória de queda, o Brasil segue tentando equilibrar o estímulo à atividade econômica com a necessidade de manter a inflação sob controle — um equilíbrio delicado que deve continuar pautando as decisões do Banco Central pelo menos até o fim de 2026.

Rolar para cima