PIB do Rio de Janeiro cresce 4,2% no 1º trimestre de 2026, puxado por petróleo e gás

A economia do estado do Rio de Janeiro cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). O resultado supera com folga a média nacional do período e confirma o Rio como um dos destaques da economia brasileira neste início de ano, puxado principalmente pela indústria extrativa — petróleo e gás.

Para o ano inteiro, a Firjan projeta um crescimento de 3,4% do PIB fluminense, com a cadeia de petróleo e gás e os investimentos em infraestrutura como os principais vetores. Se confirmado, será um dos melhores desempenhos do estado em mais de uma década.

Petróleo e gás: 87,3% de toda a extração do país

O motor desse crescimento tem nome e endereço: a indústria, que responde por 38% do PIB estadual, cresceu 9,8% no trimestre. Dentro dela, a indústria extrativa — essencialmente petróleo e gás na Bacia de Santos e na Bacia de Campos — expandiu 13,1%, refletindo produção recorde. O Rio de Janeiro concentra hoje 87,3% de toda a extração de petróleo e gás natural do Brasil, um domínio que poucos estados do mundo têm sobre um único setor de suas próprias economias regionais.

Plataforma de produção de petróleo e gás operada pela Petrobras na costa do Rio de Janeiro
Plataforma de produção offshore de petróleo e gás: a extração no Rio de Janeiro responde por 87,3% do total nacional. Foto: Divulgação

Essa concentração explica por que oscilações no preço internacional do petróleo, decisões da Petrobras sobre investimento em exploração e o ritmo dos leilões de blocos na Bacia de Santos têm impacto imediato e desproporcional sobre a economia fluminense, muito mais do que sobre qualquer outro estado brasileiro.

Serviços crescem pouco, indústria de transformação recua

Nem todos os setores acompanharam o mesmo ritmo. Os serviços, que representam cerca de 51% do PIB do Rio, cresceram apenas 0,3% no trimestre — um desempenho fraco que reflete o peso ainda relevante do setor na economia estadual sem, no entanto, conseguir contribuir de forma proporcional para o resultado geral. Já a indústria de transformação (fora a extrativa) registrou desempenho negativo, pressionada por juros altos, custo de energia e frete em alta, e pelo efeito de tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre insumos importados.

R$ 526,3 bilhões em investimentos até 2028

Olhando à frente, a Firjan projeta R$ 526,3 bilhões em investimentos no estado entre 2026 e 2028 — um volume que, se confirmado, colocaria o Rio entre os estados que mais recebem capital produtivo no país neste ciclo. Além do petróleo e gás, a carteira de projetos inclui obras de infraestrutura logística, portuária e energética, num movimento que a Federação das Indústrias associa diretamente à retomada de confiança do investidor na economia fluminense depois de anos de crise fiscal do estado.

Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio de Janeiro
Palácio Guanabara, sede do governo estadual: a recuperação fiscal do Rio é citada como fator de confiança para os R$ 526,3 bi em investimentos projetados até 2028. Foto: Divulgação

Emprego formal também melhora

O mercado de trabalho formal acompanhou a melhora do cenário: o Rio de Janeiro registrou saldo positivo de 16.840 empregos formais entre janeiro e maio de 2026, segundo os mesmos indicadores da Firjan. É um número relevante para um estado que, historicamente, teve dificuldade para gerar emprego formal em ritmo compatível com o tamanho de sua população economicamente ativa — refletindo, em parte, o efeito indireto do boom de petróleo e gás sobre serviços de apoio, logística e construção civil ligados à cadeia offshore.

O que explica a disparidade entre os setores

A leitura mais completa do resultado trimestral aponta para uma economia fluminense ainda muito dependente de um único setor. O crescimento de 4,2% do PIB estadual esconde uma disparidade grande: enquanto a indústria extrativa cresce em dois dígitos, serviços mal saem do zero a zero e a indústria de transformação encolhe. Esse desequilíbrio preocupa economistas que acompanham o estado, porque significa que boa parte da economia fluminense ainda não sente, no dia a dia, o mesmo otimismo que aparece nos indicadores agregados — um fenômeno parecido com o que ocorreu durante o auge do pré-sal na década de 2010, quando o Rio cresceu rápido no papel sem que isso se traduzisse imediatamente em geração de renda para toda a população.

Perspectiva para o restante de 2026

Para o segundo semestre, a expectativa da Firjan é de manutenção do ritmo puxado por petróleo e gás, com atenção especial ao calendário de leilões de novos blocos exploratórios e ao cronograma de entrada em operação de novas plataformas. Caso os R$ 526,3 bilhões projetados para 2026-2028 se confirmem no ritmo esperado, o desafio do estado passa a ser outro: transformar esse investimento concentrado em petróleo em ganhos mais distribuídos entre os demais setores da economia fluminense, algo que a projeção atual de 3,4% de crescimento anual ainda não garante por si só.

Fontes: Firjan, TN Petróleo, NF Notícias, Agenda do Poder, Diário do Rio de Janeiro.

Rolar para cima