Maricá ultrapassou a marca de 56 mil residências visitadas pelo Comitê de Defesa dos Bairros (CDB), programa que a Prefeitura vem consolidando ao longo de 2026 como principal canal de contato direto entre a gestão municipal e a população nos diferentes bairros da cidade. O balanço, divulgado pela Secretaria de Juventude e Participação Popular, mostra também mais de 10 mil pesquisas já aplicadas junto aos moradores — um volume que coloca o CDB entre as iniciativas de escuta ativa mais amplas em curso atualmente na região dos Lagos e no litoral leste fluminense.
200 agentes territoriais em 75 núcleos comunitários
A estrutura do programa é robusta: são 200 Agentes Territoriais distribuídos estrategicamente por 75 Núcleos de Defesa e Participação Comunitária, todos coordenados por quatro Centros Regionais que cobrem os quatro distritos da cidade. Cada agente atua de forma fixa em sua região de referência, o que permite acompanhamento contínuo da realidade e das demandas locais — uma diferença importante em relação a modelos de escuta pontual, que costumam perder informação justamente por não manter o mesmo interlocutor ao longo do tempo em cada território.
As visitas acontecem de segunda a sábado, em horário estendido até as 20h, justamente para aumentar a chance de encontrar o morador em casa — um detalhe operacional que mostra preocupação com a taxa de sucesso da coleta de dados, já que abordagens em horário comercial tradicional costumam esbarrar na ausência de moradores que trabalham fora durante o dia. Para garantir segurança e credibilidade no contato, todos os agentes territoriais atuam devidamente uniformizados, com crachá de identificação visível, e utilizam tablets equipados com QR Code para autenticação digital, permitindo que o morador confirme a identidade do agente antes de fornecer qualquer informação.
Sede própria inaugurada no Centro da cidade
Em maio de 2026, a Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Juventude e Participação Popular, em parceria com o Instituto de Capacitação Social e Profissional (Icasop), inaugurou a sede administrativa do CDB no Centro da cidade — um marco que institucionalizou o programa e deu a ele um espaço físico permanente de coordenação, em vez de operar de forma descentralizada ou provisória como costuma acontecer com iniciativas de participação popular em fase inicial.
A criação de uma sede fixa também sinaliza que a Prefeitura pretende manter o CDB como política de longo prazo, e não como ação pontual ligada a um momento eleitoral ou a uma campanha específica de levantamento de dados. Do ponto de vista de gestão pública, programas de escuta territorial contínua como esse costumam alimentar diagnósticos para políticas de saneamento, iluminação, segurança e assistência social, já que os agentes registram não apenas dados cadastrais básicos, mas também demandas específicas relatadas espontaneamente pelos moradores durante a visita.

Maricá também fecha inscrições do Filmar Maricá 2026
Na mesma semana em que o CDB anunciava a marca de 56 mil residências, a cidade também encerrou, na quarta-feira (26), as inscrições dos editais do programa Filmar Maricá 2026, voltado ao fomento audiovisual local. A edição deste ano recebeu mais de 300 projetos de produtoras de todo o estado do Rio de Janeiro — um volume expressivo que reforça a posição de Maricá como um dos municípios fluminenses que mais tem investido em editais de fomento cultural nos últimos anos, financiados majoritariamente pela receita de royalties do petróleo que o município recebe por sua proximidade com os campos de exploração da Bacia de Campos.
O programa de fomento audiovisual soma-se a outras iniciativas culturais e sociais que Maricá vem tocando simultaneamente em 2026, como o projeto MARÉ, que iniciou o segundo semestre com programações culturais e fortalecimento de ações estratégicas, e o projeto EcoMar, tocado pela Defesa Civil do município no polo de Ponta Negra, que oferece aulas práticas e teóricas de surfe, natação em mar aberto, condicionamento físico, primeiros socorros, segurança aquática e educação ambiental para moradores da região.

Um padrão de investimento sustentado por royalties
O que conecta essas diferentes frentes — CDB, Filmar Maricá, MARÉ e EcoMar — é o padrão de investimento público sustentado que Maricá vem conseguindo manter graças à receita de royalties do petróleo, um diferencial relevante frente a outros municípios da região metropolitana do Rio que dependem quase exclusivamente de repasses estaduais e federais mais instáveis. Esse fôlego financeiro permite à Prefeitura simultaneamente expandir a rede de atenção básica de saúde, financiar editais culturais robustos e manter uma estrutura de escuta territorial com centenas de agentes contratados — um modelo de gestão que dificilmente seria replicável em municípios vizinhos sem uma fonte de receita extraordinária equivalente.
Para o morador de Maricá, o significado prático dessas iniciativas é a chance de ter voz ativa nos rumos da política pública local: quem ainda não foi visitado pelo CDB pode buscar informações sobre o programa diretamente pelos canais oficiais da Secretaria de Juventude e Participação Popular, enquanto produtores audiovisuais locais já podem acompanhar o cronograma de resultado do Filmar Maricá 2026 nos canais da Prefeitura.
Como funciona a coleta de dados na prática
O trabalho de cada Agente Territorial vai além de bater na porta e fazer perguntas fechadas de cadastro. Segundo a estrutura divulgada pela Secretaria de Juventude e Participação Popular, os tablets usados em campo registram informações socioeconômicas básicas da residência, mas também abrem espaço para o morador relatar problemas específicos do seu entorno — desde iluminação pública deficiente até situações de insegurança, falta de coleta de lixo regular ou necessidade de poda de árvores que ameaçam a rede elétrica. Essas informações qualitativas, quando agregadas por núcleo territorial, permitem à Prefeitura montar um mapa de prioridades bairro a bairro, em vez de depender apenas de reclamações pontuais que chegam por canais tradicionais como o 156 ou redes sociais.
Esse tipo de metodologia de escuta ativa, porta a porta, é mais caro e mais lento do que pesquisas online ou telefônicas, mas tende a captar melhor a realidade de moradores com menos acesso à internet ou menos familiaridade com canais digitais de reclamação — um recorte que costuma incluir justamente parte da população mais dependente de serviços públicos municipais. A escolha de Maricá por esse modelo mais robusto, e mais custoso em mão de obra, reflete a disponibilidade orçamentária que o município tem hoje graças aos royalties do petróleo, um recurso que nem toda prefeitura da região consegue destinar dessa forma a um programa de mapeamento social.
O que observar daqui para frente
Com a marca de 56 mil residências visitadas e mais de 10 mil pesquisas aplicadas, o CDB caminha para se tornar uma das maiores bases de dados socioterritoriais já construídas por uma gestão municipal na região dos Lagos. O desafio a partir daqui deixa de ser apenas o volume de coleta e passa a ser a conversão prática dessas informações em políticas públicas efetivas — iluminação, saneamento, segurança e assistência social nos bairros mapeados. Moradores e lideranças comunitárias devem acompanhar, nos próximos meses, se as demandas registradas pelos agentes territoriais efetivamente se traduzem em obras e serviços entregues, ou se o programa permanece concentrado na fase de diagnóstico. A resposta a essa pergunta tende a definir se o CDB se consolida como referência de gestão participativa para outros municípios da Região dos Lagos, ou se fica registrado apenas como um levantamento estatístico de grande porte, sem o desdobramento prático que a população espera.
Fontes: Prefeitura de Maricá (marica.rj.gov.br), Portal O São Gonçalo, Maricá Info. Apuração realizada em 30/08/2026.





