Hamas anuncia dissolução do comitê que administra Gaza

O Hamas anunciou, em 6 de julho, a dissolução do Comitê de Emergência do Governo, órgão que administrava a Faixa de Gaza havia quase duas décadas. A decisão abre caminho para a atuação de um comitê técnico independente responsável pela gestão civil do território, segundo agências internacionais de notícias, incluindo Al Jazeera, France 24 e Euronews.

Quem anunciou a decisão

Mohammed al-Farra, chefe do Comitê de Emergência do Governo, informou ter decidido apresentar sua renúncia oficial do cargo e anunciar a dissolução do órgão, como parte de um processo de transição administrativa em Gaza.

O que assume o lugar do comitê

A gestão civil do território deve passar para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), formado em janeiro de 2026 sob a Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, no contexto de um plano de paz de 20 pontos apoiado pelos Estados Unidos para encerrar a guerra em Gaza. O NCAG é descrito como um órgão de transição, liderado por técnicos palestinos considerados neutros, entre eles o comissário interino Ali Abdel Hamid Shaath. Segundo as agências internacionais, Israel ainda não autorizou a entrada dos integrantes do comitê no território.

A base legal da transição: a Resolução 2803

A Resolução 2803 foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em 17 de novembro de 2025, com 13 votos a favor e as abstenções de China e Rússia. O texto, de autoria dos Estados Unidos, incorpora como anexo o plano de 20 pontos apresentado pelo presidente americano Donald Trump para o pós-guerra em Gaza. A resolução autoriza a criação de um órgão internacional batizado de Conselho de Paz, encarregado de supervisionar a administração do território, e dá a esse conselho o poder de designar o próprio NCAG para cuidar da governança cotidiana da Faixa de Gaza. O texto também abre caminho para o eventual desdobramento de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) no território. A criação formal do Conselho de Paz foi anunciada por Trump em 15 de janeiro de 2026, e o NCAG teve sua primeira reunião no dia seguinte, sob a presidência de Ali Shaath. Até o momento, o comitê opera de forma provisória a partir do Cairo, no Egito, à espera da liberação de acesso ao território por parte de Israel.

Contexto do cessar-fogo

O Hamas governa Gaza desde 2007, quando tomou o controle do território do movimento rival Fatah, após vencer eleições legislativas no ano anterior. Desde que um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor em outubro do ano passado, o grupo vinha sinalizando disposição para deixar a administração cotidiana do território.

A questão do desarmamento do Hamas, no entanto, permanece em aberto e não foi resolvida até o momento, de acordo com as agências internacionais que cobrem o processo. Segundo analistas ouvidos pela imprensa internacional, a segunda fase do acordo de cessar-fogo, que prevê justamente o desarmamento do grupo e a retirada gradual das tropas israelenses de partes do território, está estagnada há meses, e a decisão do Hamas de dissolver sua estrutura de governo é interpretada por parte dos observadores como uma tentativa do grupo de pressionar Israel e sinalizar a Washington que está cumprindo sua parte do processo de transição.

O que ainda não está definido

Não há, até a publicação desta matéria, data confirmada para a entrada efetiva dos membros do NCAG em Gaza, nem cronograma detalhado para a transferência completa de responsabilidades administrativas. O Portal Conexão Ativa acompanha os desdobramentos do processo de transição no território.

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