Faltando pouco mais de uma semana para a eleição de 4 de outubro de 2026, o painel de pesquisas da semana mostra dois movimentos que merecem atenção de quem vota no Rio de Janeiro: a corrida presidencial segue disputada, dentro da margem de erro conforme o instituto, e a disputa pelas duas vagas do Senado fluminense ganhou um novo nome forte — Carlos Jordy, que mais que dobrou de intenção de voto em três semanas.
Senado no Rio: Benedita segue na frente, mas Jordy e Portinho decolam
A pesquisa mais recente para o Senado no Rio de Janeiro é da Prefab Future, encomendada pelo Diário do Rio, registrada no TSE sob o número RJ-01631/2026. Foram ouvidos 2.000 eleitores entre 19 e 22 de setembro de 2026, com margem de erro de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança. Como cada eleitor vota em dois nomes para as duas vagas em disputa, o instituto considera os dois votos de cada entrevistado.
Os números, comparados à rodada anterior (começo de setembro):
- Benedita da Silva (PT): 27,2% (era 22,8%), alta de 4,4 pontos. Segue na liderança isolada.
- Carlos Jordy (PL): 13,5% (era 7,2%), alta de 6,3 pontos — o maior crescimento entre todos os candidatos ao Senado nesta rodada.
- Pedro Paulo (PSD): 13,0% (era 11,8%), alta de 1,2 ponto.
- Marcelo Crivella (Republicanos): 12,8% (era 12,0%), alta de 0,8 ponto.
- Carlos Portinho (PL): 11,9% (era 6,1%), alta de 5,8 pontos — o segundo maior crescimento da rodada.
- Monica Benício (PSOL): 6,6% (era 4,3%), alta de 2,3 pontos.
- Waguinho (Republicanos): 5,4% (era 7,1%), queda de 1,7 ponto.
Os demais candidatos (Marcos Dias, Paula Falcão, Luciano Mattos, Michelly Xavier, Hélio Secco, Luiz Eugênio Honorato, Vinícius Benevides, Coronel Ribeiro Afonso e Ó Clemente) oscilam entre 0,4% e 3,0%, sem mudança relevante. Indecisos caíram de 36,6% para 23,1%, uma queda de 13,5 pontos, sinal de que o eleitorado está se definindo na reta final. Brancos e nulos subiram de 12,4% para 17,8%.

O que explica a dobrada de Jordy e Portinho
O crescimento simultâneo de Carlos Jordy e Carlos Portinho, os dois do PL, chama atenção pelo tamanho: juntos, saíram de 13,3% somados no início de setembro para 25,4% agora, quase alcançando a liderança isolada de Benedita. Esse tipo de movimento em bloco costuma refletir consolidação de um campo político em torno de candidaturas específicas, mais do que uma mudança repentina de opinião sobre um nome só — o eleitor que já pretendia votar em candidatos ligados a esse campo parece estar migrando dos indecisos para nomes definidos.
Para efeito de comparação, o crescimento de Jordy (+6,3 pontos) é maior que o de Portinho (+5,8 pontos) em termos absolutos, o que o coloca, pela primeira vez nesta série de pesquisas, à frente de Pedro Paulo e Marcelo Crivella — dois nomes que já vinham estáveis nas rodadas anteriores.

Corrida presidencial: dois institutos, duas fotografias diferentes
Na disputa nacional, duas pesquisas divulgadas na mesma semana de setembro mostram cenários parecidos na direção, mas diferentes na margem:
AtlasIntel/Bloomberg (divulgada em 23/09/2026, 5.015 entrevistados entre 17 e 22 de setembro, margem de erro de 1 ponto percentual, registro TSE BR-04739/2026): no primeiro turno, Lula (PT) aparece com 45,8% contra 43,4% de Flávio Bolsonaro (PL). No cenário de segundo turno, a distância encolhe ainda mais: 47,7% para Lula contra 47,4% para Flávio, uma diferença de apenas 0,3 ponto — dentro da margem de erro, ou seja, um empate técnico.
Genial/Quaest (pesquisa de 30 de agosto a 1º de setembro de 2026): no cenário estimulado, Lula lidera com 37% e Flávio Bolsonaro aparece em segundo com 30%, uma distância de 7 pontos — maior que a mostrada pela Atlas/Bloomberg no mesmo período. A Quaest simulou cinco cenários de segundo turno, todos com a participação de Lula.
A diferença de metodologia entre institutos explica boa parte do descompasso: cada um usa amostra, ponderação e formato de pergunta próprios, e por isso comparar apenas o número de um instituto isolado pode distorcer a leitura da corrida. O dado mais sólido, quando se olha as duas pesquisas juntas, é a direção do movimento: Flávio Bolsonaro vem encurtando distância de Lula ao longo de setembro, nos dois institutos, mesmo que a intensidade do encurtamento varie.
O que isso significa pro eleitor fluminense
Rio de Janeiro concentra duas disputas de peso nesta eleição: a presidencial, com Flávio Bolsonaro como principal opositor de Lula segundo as pesquisas nacionais, e a do Senado, hoje com cinco nomes de partidos distintos disputando ativamente as duas vagas — Benedita da Silva (PT), Carlos Jordy e Carlos Portinho (PL), Pedro Paulo (PSD) e Marcelo Crivella (Republicanos), com Monica Benício (PSOL) também em ascensão.
A leitura de uma pesquisa de intenção de voto exige cuidado: o número reflete a fotografia do momento em que foi feita, não uma previsão de resultado. Ainda assim, a queda acentuada de indecisos na pesquisa do Rio (de 36,6% para 23,1% em três semanas) sugere que a eleição está se decidindo de fato nesta reta final, o que torna qualquer pesquisa posterior mais relevante que as anteriores.

Como ler uma pesquisa eleitoral sem se enganar
Três pontos ajudam a interpretar números como os desta semana sem cair em armadilha comum de quem acompanha eleição só pelas manchetes:
- Margem de erro não é detalhe. Quando a diferença entre dois candidatos é menor que a margem de erro da pesquisa — como no segundo turno da AtlasIntel, com 0,3 ponto de distância e margem de 1 ponto —, estatisticamente é um empate. Chamar isso de “vantagem” sem essa ressalva distorce o real cenário.
- Instituto, metodologia e data da coleta mudam o resultado. A diferença entre Quaest (Lula 37% a 30%, coleta de agosto) e AtlasIntel (Lula 45,8% a 43,4%, coleta de setembro) não significa que um instituto “erra” e o outro “acerta” — são amostras, perguntas e datas diferentes. O ideal é acompanhar a tendência de várias pesquisas ao longo do tempo, não fixar em um número isolado.
- Pesquisa espontânea e estimulada dão números distintos. Na estimulada, o entrevistado escolhe entre nomes apresentados numa lista; na espontânea, ele responde sem opções sugeridas. A Quaest, por exemplo, trabalha com cenário estimulado, o que tende a reduzir a fatia de indecisos e dispersos em relação a uma pesquisa espontânea.


O pano de fundo da disputa pelo Senado no Rio
O Rio de Janeiro elege dois senadores nesta eleição, e o formato de voto — cada eleitor escolhe até dois nomes — tende a favorecer o chamado “efeito coligação”: candidatos do mesmo campo político podem crescer juntos, como aconteceu nesta pesquisa com Jordy e Portinho, ambos do PL, que somados já superam a marca de qualquer candidato isolado que não seja Benedita.
Esse tipo de dinâmica já apareceu em eleições anteriores para o Senado fluminense, quando um campo político concentra o chamado “voto de reserva” — eleitores que decidem apoiar o partido ou a coligação, e distribuem o voto entre os dois nomes disponíveis dela nas últimas semanas de campanha. A queda acentuada de indecisos junto com o crescimento simultâneo dos dois candidatos do PL é compatível com esse padrão, embora a pesquisa isolada não permita afirmar isso como certeza — é uma leitura possível, não um fato comprovado.
Do lado de Benedita da Silva, a liderança segue confortável, mas a vantagem sobre o segundo colocado (Jordy) caiu de 15,6 pontos no início de setembro para 13,7 pontos agora — uma redução pequena, mas que confirma que a disputa pela primeira posição ficou mais acirrada nas últimas semanas, mesmo com Benedita ainda distante de perder a ponta.
O que muda a cada nova pesquisa até o dia 4
Faltando poucos dias para a votação, cada nova pesquisa tende a pesar mais que a anterior, porque reflete decisões mais próximas do voto real. Um detalhe que reforça esse ponto nesta rodada é justamente a queda de 13,5 pontos entre indecisos: em uma eleição com tantos candidatos ao Senado — dezesseis nomes na disputa —, a movimentação desses eleitores nas últimas semanas costuma definir quem fica com a segunda vaga, hoje disputada por pelo menos quatro nomes dentro de uma margem estatística relevante (Jordy, Pedro Paulo, Crivella e Portinho, todos entre 11,9% e 13,5%).

Calendário da reta final
A eleição geral de 2026 acontece em 4 de outubro. Faltam menos de dez dias a partir da divulgação da pesquisa mais recente do Senado (22/09) e da pesquisa presidencial da AtlasIntel (22/09). Novas pesquisas devem ser divulgadas nos próximos dias, inclusive possivelmente pelos institutos Datafolha e Ipec, que também acompanham a corrida nacional.
Perguntas frequentes
Quem lidera a disputa pelo Senado no Rio de Janeiro? Segundo a pesquisa Prefab Future de 22/09/2026, Benedita da Silva (PT) lidera com 27,2%, seguida por Carlos Jordy (PL) com 13,5%.
Quem cresceu mais na pesquisa do Senado? Carlos Jordy (PL), que subiu 6,3 pontos percentuais em três semanas, o maior crescimento entre os candidatos.
Lula está à frente de Flávio Bolsonaro? Depende do instituto. A AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula com vantagem pequena, dentro da margem de erro no 2º turno (47,7% a 47,4%). A Quaest mostra vantagem maior de Lula (37% a 30% no cenário estimulado, pesquisa de agosto).
Quando é a eleição? 4 de outubro de 2026.
Fontes: Diário do Rio / pesquisa Prefab Future (registro TSE RJ-01631/2026, divulgada 24/09/2026); CNN Brasil / pesquisa AtlasIntel-Bloomberg (registro TSE BR-04739/2026, divulgada 23/09/2026); Jota / Genial-Quaest (pesquisa de 30/08 a 01/09/2026, divulgada em setembro de 2026).





