Caso Master expõe disputa por sigilo e amplia pressão sobre PF, STF e ministros citados

O caso Master ganhou um novo capítulo com a investigação da Polícia Federal sobre um perito suspeito de ter vazado informações sigilosas ligadas a ministros do Supremo Tribunal Federal e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as reportagens recentes, o foco da apuração recai sobre a origem do vazamento e sobre a forma como dados extraídos de celulares e documentos da investigação chegaram à imprensa.
A notícia reforça a sensação de que o caso está longe de se limitar ao colapso financeiro do Banco Master. O que começou como uma apuração sobre irregularidades e fraudes passou a envolver também disputas internas, exposição de autoridades e uma batalha por controle da narrativa pública.
De acordo com os veículos que acompanharam o desdobramento mais recente, a PF identificou sinais de que um perito teria compilado e repassado material sensível relacionado às citações a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de referências ao próprio Vorcaro. A suspeita levou ao afastamento do servidor e ao cumprimento de buscas, com autorização do ministro André Mendonça.

Relembre o colapso do Banco Master

O caso tem origem na liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, no âmbito da chamada Operação Compliance Zero, que apura uma rede de fraudes bilionárias envolvendo a instituição — entre elas, irregularidades na emissão de CDBs, tentativas suspeitas de venda de ativos e uso indevido de recursos de aposentadoria de clientes. Segundo as apurações, desde que assumiu o controle do banco em 2019, Daniel Vorcaro elevou os ativos do conglomerado de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões em 2024, em um crescimento que a investigação aponta como sustentado, em parte, por números maquiados para preservar a base de clientes enquanto a liquidez real da instituição se deteriorava. O banqueiro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Levando em conta as liquidações do Master e de instituições ligadas a ele, como Will Bank, Letsbank e Pleno, o custo total do colapso para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já soma cerca de R$ 56 bilhões.

O perito e os arquivos sobre Moraes e Toffoli

Segundo apurou a PF em relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, o perito criminal identificado como João Cláudio Nabas produziu, entre 1º e 4 de dezembro de 2025, dois arquivos batizados de “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, elaborados a partir de dados extraídos do celular apreendido de Daniel Vorcaro, sem autorização da equipe responsável pela apuração. De acordo com a investigação, o próprio perito teria sugerido a colegas da corporação que os documentos fossem repassados à imprensa. Após a identificação da conduta, Nabas foi retirado da equipe da Operação Compliance Zero e teve seus acessos a materiais e dados das apreensões cancelados, além de ser alvo de uma operação de busca e apreensão em maio e afastado de suas funções públicas com base em indícios de violação de sigilo funcional.

O ponto mais delicado é político e institucional. Quando informações de uma investigação em curso vazam, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa a atingir a credibilidade dos órgãos envolvidos. No caso Master, isso é ainda mais sensível porque o processo toca ministros do STF, o que naturalmente amplia a repercussão e a pressão sobre cada decisão tomada.

Outro aspecto que chamou atenção foi a forma como o material apreendido passou a ser interpretado por diferentes atores. Reportagens recentes indicam que o vazamento não teria ligação com os áudios divulgados anteriormente, o que sugere uma cadeia própria de circulação de dados dentro da estrutura investigativa. Isso enfraquece versões que tentavam deslocar a origem do problema para fora da PF.

A presença de Toffoli no centro da disputa também não é nova. Em janeiro, ele já havia indicado peritos da PF para analisar provas do caso Master, num movimento que mostrou sua influência direta sobre o rito da investigação. Depois, novas revelações sobre menções a Moraes e sobre o conteúdo dos diálogos encontrados no celular de Vorcaro ampliaram o desgaste do episódio.

Para além das disputas jurídicas, o caso virou um teste de confiança. Se a investigação concluir que houve vazamento dentro da própria corporação, o dano institucional será maior do que o conteúdo vazado em si. Isso porque a percepção pública passa a ser a de que nem mesmo investigações de alta sensibilidade conseguem preservar o sigilo necessário.

No fim, o caso Master deixou de ser apenas um problema bancário e passou a representar um retrato de como poder, influência, sigilo e vazamento podem se misturar no centro do Estado. A PF agora tenta reconstruir a trilha de quem teve acesso ao material, quem compartilhou as informações e até que ponto esse fluxo afetou a condução política e judicial do episódio.

Imagem policial federal
Imagem banco master
Rolar para cima