
A disputa pelo governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo no último sábado (1º de agosto). O ex-governador Wilson Witzel, do Democracia Cristã, anunciou a desistência da própria pré-candidatura ao Palácio Guanabara e declarou apoio a Anthony Garotinho (Republicanos) na corrida eleitoral de outubro.
Segundo Witzel, a decisão busca evitar a fragmentação do campo de direita fluminense antes de uma disputa que já se desenha acirrada. Em suas palavras, “nós dois somos competitivos, mas o partido dele está mais estruturado para uma campanha a governador” — um reconhecimento direto de que o Republicanos de Garotinho tem hoje uma estrutura partidária mais robusta no estado do que o Democracia Cristã de Witzel.
O movimento chega em um momento estratégico do calendário eleitoral: o prazo para as convenções partidárias estaduais definirem oficialmente os candidatos ao governo do Rio se encerrou nesta quarta-feira (5 de agosto). Ao desistir antes do fim do prazo, Witzel evita uma disputa direta com Garotinho nas urnas e tenta consolidar uma frente única da direita fluminense diante dos principais concorrentes da disputa.
E os concorrentes não são poucos: as pesquisas de intenção de voto hoje colocam o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) na liderança da corrida ao governo do Rio, deixando o campo de direita historicamente representado por nomes como Witzel e Garotinho em posição de ter que disputar espaço para chegar ao segundo turno.
Foi justamente esse risco que Witzel citou como principal motivação para a desistência: o ex-governador alertou que a fragmentação de candidaturas na direita compromete a chance de qualquer um desses nomes avançar para a etapa final da disputa, dividindo votos que, somados, poderiam representar uma força eleitoral mais competitiva frente a Paes e Ruas.
Witzel governou o Rio de Janeiro entre 2019 e 2021, mandato interrompido por um processo de impeachment. Seu retorno à cena política fluminense em 2026 vinha sendo debatido havia meses, mas a decisão de apoiar Garotinho — e não seguir isoladamente na disputa — mostra como o cálculo eleitoral da direita no estado tem priorizado a união em torno de candidaturas consideradas mais viáveis, mesmo que isso signifique abrir mão de uma candidatura própria.
Com o prazo de convenções encerrado e o tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro praticamente definido, a disputa pelo governo do estado segue agora para a fase de campanha propriamente dita, com Eduardo Paes, Douglas Ruas e Anthony Garotinho — agora com o apoio declarado de Witzel — entre os principais nomes a acompanhar até outubro.





