Cláudio Castro segue no centro das atenções políticas do país, mas em um cenário bem diferente do que marcou boa parte do seu mandato: o ex-governador do Rio de Janeiro renunciou ao cargo em março de 2026 em meio a uma sucessão de reveses judiciais e políticos que reconfiguraram o tabuleiro eleitoral fluminense.
Quem é Cláudio Castro?
Cláudio Castro é político filiado ao PL (Partido Liberal), que assumiu o governo do Rio de Janeiro após o afastamento de Wilson Witzel. Reeleito em 2022, ele comandou o estado por mais de um mandato com foco em segurança pública, infraestrutura e atração de investimentos.
Principais Pautas da Gestão
A gestão de Castro se concentrou em temas estratégicos para o Rio de Janeiro:
- Segurança Pública: Operações policiais em comunidades e reforço no efetivo das forças de segurança.
- Infraestrutura: Obras de mobilidade urbana e saneamento básico em diversas regiões do estado.
- Economia: Atração de novos investidores e incentivos fiscais para empresas.
- Educação e Saúde: Ampliação de hospitais e programas nas redes estaduais.
Renúncia, inelegibilidade e o fim da candidatura ao Senado
Em 23 de março de 2026, Castro renunciou ao governo do Rio para tentar disputar uma vaga ao Senado, dizendo deixar o cargo “de cabeça erguida”. Um dia depois, porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível por oito anos, por abuso de poder político e econômico durante a campanha de reeleição em 2022. Semanas mais tarde, em meio ao desenrolar do escândalo do Banco Master — que envolveu delação do banqueiro preso Daniel Vorcaro citando repasses milionários a um grupo político ligado a Castro —, o próprio ex-governador comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que desistiria de vez da candidatura ao Senado.
Uma sucessão pouco comum no comando do estado
A saída de Castro expôs uma fragilidade pouco usual na linha sucessória fluminense: o Rio de Janeiro está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado. O passo seguinte na linha sucessória, o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, também estava impedido de assumir, por ter sido afastado pelo Supremo Tribunal Federal após ser preso em dezembro de 2025. Diante desse cenário, coube ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assumir interinamente o Palácio Guanabara, com a expectativa de convocar uma eleição indireta na Alerj para escolher um novo governador, que cumprirá o restante do mandato até o fim do período eletivo.
Desafios que ficam para o sucessor
Independentemente de quem assuma em definitivo o governo do estado, os desafios estruturais permanecem os mesmos enfrentados por Castro ao longo de sua gestão:
- Controle das milícias e facções criminosas que dominam áreas do estado.
- Recuperação fiscal e econômica do Rio de Janeiro.
- Melhoria nos índices de educação pública.
O episódio também reacende um debate mais amplo sobre a fragilidade da linha sucessória em governos estaduais brasileiros: a ausência simultânea de vice-governador e de um presidente de Assembleia apto a assumir levou o Rio a uma situação pouco comum, em que o comando do Executivo estadual passou, ainda que de forma interina, para as mãos do Judiciário — um cenário que tende a alimentar discussões na Alerj sobre regras de sucessão para evitar repetição do impasse em futuras crises políticas.
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