Quase metade dos brasileiros vê aumento da corrupção no governo Lula, aponta pesquisa PoderData

Uma pesquisa recente do instituto PoderData acendeu mais uma luz vermelha no cenário político brasileiro: 47% dos entrevistados acreditam que a corrupção aumentou no país desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Passados mais de três anos de governo, a percepção de piora continua predominante, mesmo após oscilar alguns pontos em relação a levantamentos anteriores. Na prática, isso significa que quase metade da população associa o período Lula 3.0 a um ambiente de corrupção em alta, o que se transforma em munição pesada no debate público e nas eleições que se aproximam.

Os números da pesquisa ajudam a dimensionar o tamanho do desgaste. Enquanto 47% dizem que a corrupção aumentou, apenas cerca de 21% enxergam diminuição e uma parcela similar considera que o nível se manteve estável. Ou seja, mesmo entre quem não fala em piora, há um contingente relevante que não identifica melhora concreta no combate a irregularidades. Para um governo que fez da narrativa de “reconstrução institucional” e defesa da democracia um dos seus pilares, ver a opinião pública associar o período a mais corrupção é um problema político sério.

Essa percepção não nasce no vazio. Nos últimos meses, casos de grande repercussão como o escândalo Banco Master, fraudes envolvendo o INSS e operações de combate a esquemas de lavagem de dinheiro têm ocupado manchetes e alimentado a sensação de que o sistema continua capturado por interesses escusos. Em muitas dessas investigações, o governo destaca que os fatos vinham desde gestões anteriores e que agora estão sendo enfrentados com maior rigor, mas a leitura popular costuma ser mais direta: quando estoura um escândalo de bilhões, o eleitor tende a enxergar a corrupção como algo presente “no governo de agora”, independentemente da origem histórica do esquema.infomoney+3

A própria cúpula do PT reconhece o impacto desses episódios na imagem de Lula. Em declarações recentes, dirigentes afirmaram que o presidente acaba “pagando o preço” por casos de corrupção que acontecem no país, mesmo quando ele não é diretamente responsável pelos fatos investigados. Na avaliação desses aliados, a combinação de foco da imprensa em escândalos, uso político do tema pela oposição e desgaste natural de quem está no poder explica parte da queda na popularidade e do aumento da percepção de corrupção.

Por outro lado, integrantes do governo reforçam o discurso de que não há tentativa de “varrer nada para debaixo do tapete”. O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, tem repetido que a atual gestão está enfrentando “grandes fraudes” de forma ativa, citando investigações sobre casos como o Banco Master e irregularidades no sistema previdenciário. Segundo ele, o fato de escândalos virem à tona é justamente prova de que as estruturas de controle estão funcionando, e não de que o governo é conivente com a corrupção.

O problema, do ponto de vista da percepção pública, é que combate à corrupção e aumento de sensação de corrupção podem andar juntos. Quando operações, delações e notícias sobre desvios milionários aparecem com frequência, o cidadão comum tende a concluir que “está tudo piorando”, mesmo que essas investigações sejam fruto de maior fiscalização. Em um ambiente polarizado, esse sentimento é rapidamente capturado por narrativas políticas: opositores do governo apontam os escândalos como prova de que Lula comanda um sistema corrupto, enquanto apoiadores tentam mostrar que os casos são herança de gestões anteriores ou da lógica estrutural do sistema financeiro e estatal.

A pesquisa PoderData também mostra que, entre os que tomaram conhecimento de episódios como o caso Banco Master, boa parte responsabiliza diretamente o governo Lula por permitir irregularidades na instituição. Essa associação é devastadora politicamente, porque transforma investigações complexas em um enredo simples para o eleitor: “se aconteceu no seu governo, a culpa é sua”. Em campanhas eleitorais, esse tipo de dado tende a ser explorado em peças de propaganda, debates e discursos, especialmente por adversários que querem resgatar o tema corrupção como centro da disputa, assim como ocorreu nos tempos de Lava Jato.

Ao mesmo tempo, figuras da direita e do bolsonarismo buscam se posicionar como vítimas de perseguição judicial, tentando transformar seus próprios problemas com a Justiça em narrativa de injustiça. Essa mistura de vitimização bolsonarista e percepção de corrupção sob Lula cria um cenário em que o eleitor é bombardeado por mensagens contraditórias: de um lado, denúncias e investigações que atingem o campo bolsonarista; de outro, levantamentos e escândalos que alimentam a ideia de que o governo atual não conseguiu estancar a corrupção no país.

Do ponto de vista de transparência e combate real ao problema, o desafio é transformar investigação em consequência concreta. Não basta que casos como Banco Master e fraudes no INSS sejam revelados: é preciso que responsáveis sejam punidos, que brechas legais sejam fechadas e que a população veja mudanças efetivas na forma como o dinheiro público é gerido. Sem isso, cada novo escândalo reforça a sensação de impunidade e alimenta a ideia de que a corrupção é um fenômeno permanente, independentemente de quem ocupa o Planalto.

Para o governo Lula, os dados da PoderData funcionam como um alerta pré‑campanha. Se a pauta corrupção voltar com força ao centro do debate eleitoral, o presidente terá de equilibrar o discurso de combate a fraudes com a defesa da própria imagem, explicando a origem dos casos, apontando ações de controle e enfrentando a narrativa simplificada de que “a corrupção piorou”. Já para a oposição, a pesquisa oferece um prato cheio para construir mensagens que conectem desgaste econômico, descrédito institucional e sensação de corrupção elevada sob a atual gestão.

Enquanto isso, para o eleitor comum que acompanha os noticiários, o cenário é de cansaço. Depois de anos de denúncias, operações e discursos sobre ética, ver que quase metade do país ainda enxerga a corrupção em alta mostra que a crise de confiança continua instalada. No meio dessa guerra de narrativas, cabe ao jornalismo independente e aos portais de notícia, como o Conexão Ativa, destrinchar dados, explicar casos e separar percepção de fato — sem aliviar para ninguém, seja Lula, Bolsonaro ou qualquer outro agente do sistema político brasileiro.

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