Dólar fecha em queda e Ibovespa recua no início de julho

O dólar encerrou o pregão de 6 de julho no menor nível desde meados de junho, cotado perto de R$ 5,13, após três sessões seguidas de queda. No mesmo período, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operou em baixa, segundo dados divulgados pelo InfoMoney e pela CNN Brasil.

Por que o dólar caiu

Operadores do mercado financeiro atribuíram a valorização do real a ajustes nos prêmios de risco, após uma onda recente de depreciação da moeda brasileira. O movimento também foi influenciado por um ambiente de alívio no mercado de renda fixa local e pela valorização de commodities agrícolas, com destaque para a soja.

Ibovespa em compasso de espera

Segundo analistas citados pela imprensa especializada, o mercado de ações brasileiro atravessa um momento descrito como “compasso de espera”, em que investidores estrangeiros buscam avaliar melhor o cenário de inteligência artificial antes de redirecionar recursos para outros mercados. Como investidores estrangeiros respondem por mais da metade do volume financeiro negociado na bolsa brasileira, uma redução no apetite desse grupo tende a pesar sobre o desempenho do índice.

Saída de capital estrangeiro

O acumulado de julho ainda mostra retirada líquida de recursos estrangeiros da bolsa brasileira, na casa de R$ 22,2 bilhões, de acordo com dados do InfoMoney. O número reforça a leitura de que o fluxo de capital externo segue como um dos principais fatores de pressão sobre o Ibovespa neste início de segundo semestre.

O pano de fundo: juros em queda e inflação surpreendendo

O movimento do início de julho ocorre em meio a um ciclo de cortes na taxa básica de juros brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic para 14,50% ao ano em abril e voltou a cortá-la, para 14,25% ao ano, na reunião de junho, dando continuidade a uma trajetória de afrouxamento monetário. Segundo o boletim Focus, mercado projeta que a Selic encerre 2026 perto de 13,50% ao ano, o que ajuda a explicar parte do apetite por ativos de renda fixa local observado pelos operadores.

Poucos dias depois do fechamento retratado nesta reportagem, um dado de inflação surpreendeu positivamente o mercado e ajudou a mudar o humor dos investidores: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho subiu 0,16%, ante alta de 0,58% em maio, a menor variação mensal desde outubro. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%. A leitura mais branda reforçou a expectativa de que o Banco Central deve promover novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom marcada para 5 de agosto.

A reação imediata do mercado foi intensa: em 10 de julho, o Ibovespa disparou 2,97% em um único pregão, aos 177.866,37 pontos, maior patamar desde 14 de maio, enquanto o dólar recuou ainda mais, fechando por volta de R$ 5,10 e acumulando queda semanal de mais de 1% frente ao real. O movimento ilustra a sensibilidade do mercado brasileiro a sinais sobre a trajetória futura dos juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

O que esperar dos próximos dias

Analistas de mercado citados pela imprensa especializada avaliam que o comportamento do dólar e da bolsa nas próximas semanas deve continuar dependendo principalmente de dois fatores externos: a trajetória dos juros nos Estados Unidos e o apetite de investidores estrangeiros por ativos de risco em mercados emergentes como o Brasil.

O Portal Conexão Ativa acompanha diariamente o comportamento do dólar e do Ibovespa e trará atualizações conforme o cenário evoluir.

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