Nesta sexta-feira (3), o Rio de Janeiro recebeu o 3º Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal (PL), apresentado pelo partido como o maior evento de comunicação partidária do país e voltado a tecnologia, redes sociais e inovação em campanhas eleitorais. O encontro acontece na região da Cidade Nova, reunindo lideranças políticas, influenciadores digitais e estrategistas, e serviu de palco para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçar seu discurso em defesa do Pix e da soberania brasileira sobre o sistema de pagamentos instantâneos.
Realizado na ExpoRio, o seminário reuniu nomes do bolsonarismo, influenciadores digitais e representantes de empresas de tecnologia em painéis sobre inteligência artificial, marketing digital, produção de conteúdo, segurança jurídica na internet e comunicação política, em um encontro que o próprio partido descreve como parte da preparação da pré-campanha para as eleições de 2026. Como senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro usou o palco para tentar consolidar sua liderança dentro do campo bolsonarista no estado do Rio de Janeiro.
Durante sua participação no seminário, Flávio aproveitou o ambiente de discussão sobre comunicação e tecnologia para se associar diretamente à trajetória de consolidação do Pix no país. Diante da plateia do PL, o senador afirmou que o sistema foi criado no período em que atuava politicamente ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e que hoje é uma das grandes inovações institucionais brasileiras, usada diariamente por milhões de pessoas, pequenos empreendedores e empresas.
O parlamentar destacou que considera o Pix uma ferramenta que democratiza o acesso a serviços financeiros, reduz custos e diminui a dependência de tarifas bancárias tradicionais, e por isso merece ser defendida em cenários internacionais. Flávio disse ainda que pretende levar essa pauta ao centro das discussões com autoridades norte-americanas, em meio ao debate sobre tarifas e regulações que envolvem o sistema brasileiro e o governo Donald Trump.
O pano de fundo dessa fala é uma investigação formal aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em julho de 2025, concluída em 1º de junho de 2026, com base na Seção 301 da lei de comércio americana de 1974. O relatório final recomenda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, colocando o Pix no mesmo patamar de prioridade que o desmatamento ilegal e as chamadas tarifas preferenciais desiguais como motivo da medida. Segundo o documento, de 73 páginas, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é apontado pelos Estados Unidos como uma ferramenta que distorceria a livre concorrência ao favorecer um “campeão nacional” em detrimento de empresas americanas de meios de pagamento. A tarifa proposta poderia entrar em vigor já a partir de 15 de julho de 2026, dependendo de decisão final do presidente americano, e o texto prevê isenções para setores estratégicos dos EUA, como aeronaves civis, produtos farmacêuticos, fertilizantes, terras raras e alimentos tropicais.
Foi justamente nesse contexto que Flávio Bolsonaro confirmou participação em uma audiência pública promovida pelo USTR em Washington, no dia 7 de julho, criada para debater as tarifas propostas contra produtos brasileiros — viagem à qual o senador se referiu no seminário do Rio ao anunciar que iria aos Estados Unidos.
Ao anunciar que vai aos Estados Unidos para “defender o Pix do Brasil”, o senador buscou se posicionar como voz política em favor da inovação nacional, e não apenas de interesses empresariais. Segundo ele, a ideia é explicar às autoridades norte-americanas que o Pix é uma construção institucional brasileira bem-sucedida, que não substitui integralmente o cartão de crédito, mas amplia as opções de pagamento e fortalece a economia interna.
No contexto do seminário, que discute justamente comunicação digital, tecnologia e narrativa política, o discurso de Flávio tenta consolidar sua imagem como alguém ligado à modernização da infraestrutura financeira do país. Ao usar o palanque do PL no Rio para falar de Pix e anunciar sua agenda nos EUA, o senador soma ao debate eleitoral de 2026 um tema que atinge diretamente o bolso e o cotidiano dos brasileiros, e procura transformar uma questão técnica em bandeira política de defesa da inovação brasileira no cenário internacional.



