O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado com ataques coordenados em fevereiro de 2026, seguiu afetando o cenário geopolítico e energético global — com reflexos que chegaram até o preço dos combustíveis no Brasil.
Como a escalada evoluiu
Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque aéreo conjunto contra o Irã — batizado de Operação Leão Rugidor por Israel e Operação Fúria Épica pelo Departamento de Defesa dos EUA —, mirando autoridades iranianas, comandantes militares e instalações estratégicas, com o objetivo declarado de provocar mudança de regime. Entre os alvos atingidos estava o próprio líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no ataque. Em resposta, o Irã anunciou, em 2 de março, o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.
Em março, uma fragata da Marinha iraniana, a IRIS Dena, foi afundada no Oceano Índico por um submarino americano da classe Los Angeles, o USS Charlotte, que disparou dois torpedos Mark 48 contra a embarcação — o primeiro afundamento de um navio por torpedo de submarino americano desde a Segunda Guerra Mundial. O ataque ocorreu perto da costa do Sri Lanka, quando o navio iraniano retornava de um exercício naval internacional sediado pela Índia; das cerca de 180 pessoas a bordo, ao menos 80 morreram.
Tentativas de paz e nova escalada
Os EUA chegaram a propor um plano de paz de 15 pontos, que incluía trégua de um mês, desmantelamento das capacidades nucleares iranianas, reabertura do Estreito de Ormuz e levantamento de sanções contra Teerã. O Irã, no entanto, recusou-se a avançar nas negociações com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, acusando-os de “traição” depois que ataques atingiram Teerã poucas horas após as conversações de fevereiro. Uma versão revisada, um acordo provisório de 14 pontos, tentou novamente interromper os combates e reabrir o estreito, mas os enfrentamentos foram retomados, com o Irã atacando o norte e o centro de Israel, incluindo Tel Aviv, além de bases americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia.
Infraestrutura energética como alvo estratégico e o efeito nos preços
A intensificação das hostilidades, especialmente contra infraestrutura energética civil iraniana e o fechamento do Estreito de Ormuz, gerou pressão inédita sobre os preços internacionais de petróleo: o barril Brent saiu da faixa de US$ 71–73, no período pré-conflito, para quase US$ 120 em pouco mais de dez dias — uma das altas mais rápidas já registradas no mercado.
Por que isso chegou ao bolso do brasileiro
Preço internacional de petróleo é um dos principais fatores que influenciam o valor da gasolina e do diesel no Brasil, através da política de preços da Petrobras e do câmbio. A presidente da estatal, Magda Chambriard, chegou a descartar reajuste imediato nos combustíveis, alegando instabilidade externa demais para justificar decisão precipitada sobre preços domésticos — mesmo com a defasagem do diesel nas refinarias chegando a 85%. Enquanto a Petrobras segurava os preços, distribuidoras privadas começaram a repassar aumentos por conta própria, com relatos de alta de R$ 0,26 por litro na bomba e R$ 0,80 por litro na distribuidora. O impacto tende a ser sentido com mais força justamente no diesel: o Brasil importa cerca de 30% do combustível que consome, com estoques suficientes para apenas 15 dias de abastecimento em cenários de estresse na cadeia de importação.
O desfecho, por enquanto
Em meados de junho, Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo de paz preliminar, com assinatura prevista para o dia 19 na Suíça. A notícia derrubou os preços do petróleo: o Brent recuou para cerca de US$ 80, refletindo a promessa de reabertura do Estreito de Ormuz. No Brasil, porém, a queda nos preços dos combustíveis deve ser gradual, já que a Petrobras acumulou defasagem de custos ao longo da crise e busca recompor caixa antes de repassar a baixa aos consumidores — um lembrete de que o alívio no mercado internacional não se traduz imediatamente no preço pago na bomba.
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